A cada minuto, é menos uma de nós...
E já que estamos numa de revolta pelo gasto estúpido de dinheiro em coisas parvas, inúteis e pouco inovadoras para a sociedade e chi sa, para a humanidade, tenho outra gira.
Há uns dias fui em reportagem para a divulgação do relatório das Nações Unidas sobre o estado da população mundial, no edifício novo da Assembleia da República.
Interessante.
Fui entusiasmada.
Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade, e só por boa vontade, estava lá e falou e tudo.
Cheguei às 10h da manhã.
À uma da tarde, continuava sem ver números e conclusões do relatório.
Até que me apercebo que não há grandes números, mas uma série de conceitos.
Eu passo a explicar.
Durante mais de 3 horas, estive a ouvir falar do relatório. Como suporte tinha folhas que nunca mais acabavam (a cores), livros com estudos e muitas outras coisas. Tudo sempre a cores e em português.
E depois de muitas voltas dadas à documentação e de muito ouvir quem falava, percebi que durante um ano, uma comissão das Nações Unidas foi paga para concluir que a cultura interfere com os direitos humanos.
Ahhh… genial.
Definições de cultura, ideais de como não interferir com a cultura, explicações de como o desenvolvimento da cultura se deveria tornar num direito, palavras duras sobre a violação dos direitos humanos e meios sociais onde é difícil mudar tradições.
Coisas novas portanto.
A razão: as mulheres representam 60% da população mais pobre do mundo. Todos os anos morrem mais de 500 mil mulheres por falta de cuidados de saúde reprodutiva (leia-se parto ou gestação). A cada minuto, uma mulher morre a dar à luz, ou na sequência disso. Números que se mantém desde 1980. Realidades escandalosas que merecem intervenção da comunidade internacional.
No discurso de Catarina Furtado, a jovem apresentadora relatou a viagem à Guiné Bissau, onde os partos são feitos à luz das velas, onde os médicos não recebem salários, onde não há o básico para poder fazer um parto em condições.
Falta dinheiro. Falta investimento.
E, atingida por um relâmpago, perguntei-me:
Então, mas durante um ano, há uma comissão paga para desenvolver teses sobre cultura.
Durante o ano que se segue, a comissão viaja pelo mundo inteiro para apresentar este fantástico relatório.
A cada país a que se desloca a comissão, são impressos milhares de folhas a cores e impressos milhares de livros a cores, na respectiva língua do país em causa. O que pressupõe tradutores. Pagos.
Ehhh… posso ser redutora ou até simplista… mas se falta dinheiro nos países pobres, porque não agarrar no que foi gasto nesta fantuchada e aplicá-lo directamente onde é preciso???
A cada minuto morre uma mulher com falta de condições. Será que as merdas das palestras valem cada minuto perdido? Será que aquele relatório obsoleto vale o meio milhão de mulheres que perdemos neste último ano?
Mas que sei eu? Eu não sou embaixadora… tenho só imensa boa vontade.
Há uns dias fui em reportagem para a divulgação do relatório das Nações Unidas sobre o estado da população mundial, no edifício novo da Assembleia da República.
Interessante.
Fui entusiasmada.
Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade, e só por boa vontade, estava lá e falou e tudo.
Cheguei às 10h da manhã.
À uma da tarde, continuava sem ver números e conclusões do relatório.
Até que me apercebo que não há grandes números, mas uma série de conceitos.
Eu passo a explicar.
Durante mais de 3 horas, estive a ouvir falar do relatório. Como suporte tinha folhas que nunca mais acabavam (a cores), livros com estudos e muitas outras coisas. Tudo sempre a cores e em português.
E depois de muitas voltas dadas à documentação e de muito ouvir quem falava, percebi que durante um ano, uma comissão das Nações Unidas foi paga para concluir que a cultura interfere com os direitos humanos.
Ahhh… genial.
Definições de cultura, ideais de como não interferir com a cultura, explicações de como o desenvolvimento da cultura se deveria tornar num direito, palavras duras sobre a violação dos direitos humanos e meios sociais onde é difícil mudar tradições.
Coisas novas portanto.
A razão: as mulheres representam 60% da população mais pobre do mundo. Todos os anos morrem mais de 500 mil mulheres por falta de cuidados de saúde reprodutiva (leia-se parto ou gestação). A cada minuto, uma mulher morre a dar à luz, ou na sequência disso. Números que se mantém desde 1980. Realidades escandalosas que merecem intervenção da comunidade internacional.
No discurso de Catarina Furtado, a jovem apresentadora relatou a viagem à Guiné Bissau, onde os partos são feitos à luz das velas, onde os médicos não recebem salários, onde não há o básico para poder fazer um parto em condições.
Falta dinheiro. Falta investimento.
E, atingida por um relâmpago, perguntei-me:
Então, mas durante um ano, há uma comissão paga para desenvolver teses sobre cultura.
Durante o ano que se segue, a comissão viaja pelo mundo inteiro para apresentar este fantástico relatório.
A cada país a que se desloca a comissão, são impressos milhares de folhas a cores e impressos milhares de livros a cores, na respectiva língua do país em causa. O que pressupõe tradutores. Pagos.
Ehhh… posso ser redutora ou até simplista… mas se falta dinheiro nos países pobres, porque não agarrar no que foi gasto nesta fantuchada e aplicá-lo directamente onde é preciso???
A cada minuto morre uma mulher com falta de condições. Será que as merdas das palestras valem cada minuto perdido? Será que aquele relatório obsoleto vale o meio milhão de mulheres que perdemos neste último ano?
Mas que sei eu? Eu não sou embaixadora… tenho só imensa boa vontade.

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