Name:
Location: Lisbon, Portugal

Wednesday, October 08, 2008

Porque acabou mesmo...?

Sei que tenho um novo grupo de leitores...
E que grupo! São os meus pais... todos! São imensos. Sim, porque até nisso eu sou anormal. Ou sortuda?
Não tenho só um pai e uma mãe.
Eu tenho uma catrefada de pais. E não, a minha mãe não está com Alzheimer (ainda!) ao ponto de não saber qual deles é. Também tenho uma catrefada de mães.
Há quem chame a esse tipo de pessoas "tios" e "tias". Mas isso cria automaticamente uma distância. Distância que não estou disposta a ter com os meus "pais", os outros.
A esta hora, estará o meu pai (de ADN) a perguntar-se porque me sustentou ele sozinho, quando na verdade havia uma porrada de outros pais para ajudar? E ajudaram... contribuíram para o que sou hoje.

E com este novo grupo de leitores, surge uma árdua tarefa de ter um blog ainda mais à altura.
Posto isto, achei que devia escrever sobre... Sagres!
Porque sim. Eles sabem. Os restantes, perdoem-me esta "private" e tenham paciência. Ou não leiam!

Aqui vai, meus pais:

Sinto falta de Sagres. E de tudo aquilo que vinha por arrasto.
Era um ponto de encontro.
Sem combinações, estávamos lá todos.
Todos os anos.
Todos os dias, até não poder mais.
Comida, risos, bebida, praia, sol, vento... muito vento.
E é com Sagres que a minha memória mais extravasa.
Os tremoços.
A sopa de grão.
O Carito e a sua Famel. E o cigarro ao canto da boca, que só mais tarde entendi que não estava lá colado.
E por falar em cigarros, o Zé Camões que num truque de magia conseguia prender o dito no espaço que tinha entre os dentes da frente. Mal sabia eu que lhe iria seguir os passos uns anos mais tarde, fazendo a mesma proeza!
E a Rute! "Quem é a Rute?" A Rute é a filha do Zé Camões. Já eu denunciava que seguiria depressa os caminhos da minha avó e porque não, da minha mãe também, de mão dada com o Alzheimer.
Os percebes e o Manel.
O Rui Pessoa e o barco.
O tubarão martelo à volta do barco. A minha mãe a puxar-me não fosse eu servir de almoço ao bicho, eu em tão tenra idade.
Terá o animal vindo atrás do cheiro do Janico ou da mamã, depois duma “boiadela” maluca no mar?
Bem, onde ia?
O Pedro... ahhh o Pedro... que de tanta televisão que via, piscava os olhos como limpa-pára-brisas em dia de tempestade. Foi aí que me viciei em TV... para ser como ele… Ah, tão nova e tão estúpidaaaa!
E a Susana a envergonhar-me à janela do 7-Up. Ainda hoje julgo que a publicidade pendurada na fachada é o nome do bar.
Eu não podia entrar, mas lá por isso não ficava em casa. Tal como o João Ratão, lá estava eu à janela só para o(s) ver e ouvir. Ao(s) “mais velho(s)”.
O filho do senhor Carlos atrás da Susana... da Rita... da Rute... da Margarida... enfim, só não andava atrás de mim porque... ah porque eu tinha 4 anos!!!
E o raio do puto… não podemos esquecer o raio do puto! Aliás não dá para esquecer, daí que seja “o raio do puto”! O júnior que era e é chapado do pai!
As minhas anedotas/palhaçadas. Não que tivessem graça, mas porque eu era piqueeena. Estava em vantagem!
A anedota preferida da “comunidade”, nunca cheguei a perceber porque se riam tanto:
- “Tenho um cão que diz papá e mamã!”
- “Ah, isso não é nada. Eu tenho um garrafão que diz água do Luso…”
E pronto… parece que ainda oiço a gargalhada da Isabel!
O cheiro das casas de verão alugadas.
A casa do Gita.
A chapada que eu ia levando quando lhe atirei o Kiky para cima dos olhos... a mando do meu pai!
A caça aos Gambozinos. Intrigava-me. Nunca tinha visto um. Mas para calar os que me gozaram anos a fio, vim a descobrir que o gambozino existe! Com o jornalismo, veio a sabedoria. É um peixe! Ora tomem!
O Marafado.
O cheiro do porto.
O choque do Navigator. O primeiro sinal de que tudo aquilo iria mudar.
As velas no Martinhal.
Os alemães de mochila às costas e poucos banhos tomados.
O Dromedário.
O farol.
O Forte.
A Mareta, o Beliche, o Zavial… e todas as outras praias perdidas só para nós.
O Amado sem roupa e cheio de aranhas, que não só o peixe.
Os filetes sem espinhas do António. "Se encontrar uma espinha, não paga!". E apesar do peixe vir quase como veio ao mundo, pagávamos sempre. Eis um homem de palavra…
Os jantares no Carlos.
Mas o melhor que tudo isso, os jantares na Isabel... em família. Família alargada. E com isto salto automaticamente para o Gorjão.
É tudo igual. Em vez de areia, há cortiça. Em vez de praia, ficamos a mesa um dia inteiro.
Pais, filhos, irmãos.

A Paz de Sagres.
Lembrem-me só duma coisa: Porque deixamos o nosso paraíso?

PS: O tempo não volta atrás, mas podemos sempre recuperar os bons velhos tempos. Vamos todos comprar uma casa em Sagres! A mesma casa para todos! Uma mansão! Aliás, a família está cada vez maior, pensando melhor, vamos comprar a pousada!

6 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Acabou mesmo porque infelizmente nesta vida de "Prazeres e Vícios", " Sensibilidade e Bom Senso" " Razão e Emoção" tudo tem um tempo, faz parte de um montão assim a modos que absurdo de permutas que criamos de forma a crescer e de debutar o nosso eu aos espelhos desta terra. A diversão nunca pode morrer, não obstante o facto de ser comum ela esmorecer, mas isso já depende muito de companhias e de estados de alma.
Eu por exemplo sou gajo para perder 3 horas com um Yo-Yo e cantar 2 Albuns seguidos de José Malhoa, mas isso agora não interessa nada.
Interessa é que Sagres ainda lá está, com a mesma água gelada, as mesmas ondas os mesmos copos e as mesmas tradições.
Vai-te a eles mas de cernelha que por vezes de frente dói mais.
E com isto tudo vou fazer o jantar!!
Ate jazz.

7:11 PM  
Anonymous rute said...

porra
quase chorei com este post!
irra :)

11:30 PM  
Anonymous Eduardo said...

Estas são das coisas que só acabam quando não queremos que continuem. Concordas?
Este ano até esperamos que aparecesses... propaganda do biológico, foi o que foi...

11:05 PM  
Blogger Isabel said...

Fizeste-me chorar, minha parvalhonaaaaa!!!!
Eram bons tempos, não eram?
E quando fazias pedidos frenéticos de gelados ao Zé Cabo do Mar, só porque ele estava vestido de branco....?

11:41 AM  
Anonymous Maria Odete Trigo said...

100% tua Fã:

Gostei,gostei,ameeeiiii!
Mas vou acrescentar algumas lembranças tuas,e nossas, o Luso era "água do Búzio", o que eu acho muito mais bonito.
E também quando vias as caixas de chiclets, amarelinhas dizias;
"..posso comer todas?,gosto taaanto...!",
já para não falar nas batatas fritas e do pão com manteiga que nunca te deixava comer mais nada .
É por tudo o que escreveste e muito mais que nos fizeste ficar ainda com mais saudades tuas..

..Gosto di você leãosinho..

MO

4:57 PM  
Anonymous Maria Odete Trigo said...

100% Fã

Voltei, mas sabes como são os velhos, ficam a pensar,a pensar.

E o Chemingó, e o "radio gágá",e a foto esfarrapada que a Susana taz na carteira, das duas, tirada no dia da partida para Paris, tu toda lambusada de gelado, todo derretido na mão.
E o chapéu cor de rosa com florsinhas, que trazias na cabeça apenas chegada para férias.
É isso, são tantas tantas,que tinha mesmo que voltar.

MO

5:37 PM  

Post a Comment

<< Home